sábado, 3 de março de 2007

POIS É, WHAT PORRA IS THIS?




Eu estava assistindo ao globo repórter e acabei de desfazer um paradigma pessoal, aliás, acho que não é tão pessoal assim. Muitas pessoas devem pensar que a justiça no Brasil é morosa e que a maioria das crianças de orfanatos não são adotadas porque o anos passam e o processo viram criadouros de traças nas prateleiras dos fóruns. Em parte, isso é verdade.
Mas o que mais me estarreceu é ver que a maioria das crianças não é adotada por não preencher a pré-requisitos exigidos pelos futuros pais. Entre as “esdrúxulas” exigências estão a idade e, pasmem: a COR da criança.
Paaaaaaaaaaara tuuudooooo!!!
Eu pensava que pessoas que adotavam crianças eram almas nobres, mas o buraco é mais embaixo. Algumas são sim, mas a maioria dos candidatos é composta por cidadãos que desejam completar um vazio interior, um espaço não preenchido por um filho biológico, e não ajudar alguém. Acho que as crianças adotadas por essas famílias têm uma responsabilidade muito grande nas costas... Muitas adoções são frutos da vaidade.
É claro que quem quer adotar uma criança tem todo o direito de pensar em preencher esse vazio, aliás, esse é o princípio que move a maioria das adoções. Se há amor para dar, por que guardar? (opa, até rimei).
Mas será que as pessoas só podem dar amor para crianças brancas, com menos de cinco anos e sem irmãos?
Que porra de amor é esse que escolhe raça? Que porra de amor é esse que... Eu não entendo. Acho que se um dia for adotar alguma criança, não vou nem querer ver. Vou deixar que Deus e o juiz entreguem a que estiver destinada aos meus cuidados. Pode ser preta, branca, saudável, doente, criança, adolescente... Meu amor não tem preconceito.
Estou acabada... Nada me deixa mais deprimida do que ver criança sofrendo... Nem pessoas idosas me comovem tanto... Quero ler esse texto daqui a alguns anos e ver o que eu fiz para mudar essa situação...

2 comentários:

Elmo SR disse...

Muito bom o texto! e o tema!
concordo em gênero, número e grau. Acho que o que tiver que ser, será. Não adianta ficar escolhendo.

gostei do título ;-)
hehehehehehe

bjo

Camila disse...

O egoísmo, puro e simples, se esconde por trás de inúmeros atos de nobreza e generosidade. Somos seres imperfeitos pelo simples fato de não nos conhecermos suficientemente bem para reconhecer nossas fraquezas quando elas gritam. Assumir nossa necessidade de reconhecimento e auto-preservação é uma das tarefas mais difíceis de se cumprir. Keep walking...